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sábado, 25 de outubro de 2014

Dia 25 de Out dia de Santo Antônio de Sant'Ana Galvão, Confessor

Santo Antônio de Sant'Ana Galvão, OFM, mais conhecido como Frei Galvão (Guaratinguetá, 1739 — São Paulo, 23 de dezembro de 1822) foi um frade católico e primeiro santo nascido no Brasil. Foi canonizado pelo papa Bento XVI durante sua visita ao Brasil (São Paulo) em 11 de maio de 2007.

O pai, Antônio Galvão de França, nascido em Portugal, era o capitão-mor da vila. Sua mãe, Isabel Leite de Barros, era filha de fazendeiros, bisneta do famoso bandeirante Fernão Dias Pais, o "caçador de esmeraldas". 
Antônio viveu com seus irmãos numa casa grande e rica, pois seus pais gozavam de prestígio social e influência política. O pai, querendo dar uma formação humana e cultural segundo suas possibilidades econômicas, mandou o filho com a idade de treze anos para o Colégio de Belém, dos padres jesuítas, na Bahia, onde já se encontrava seu irmão José. 


Lá fez grandes progressos nos estudos e na prática cristã, de 1752 a 1756. Queria tornar-se jesuíta, mas por causa da perseguição movida contra a Ordem pelo Marquês de Pombal, seu pai o aconselhou a entrar para os franciscanos, que tinham um convento em Taubaté, não muito longe de Guaratinguetá. Assim, renunciou a um futuro promissor e influente na sociedade de então, e aos 16 anos, entrou para o noviciado na Vila de Macacu, no Rio de Janeiro. 


Estátua do frade em sua cidade natal, GuaratinguetáA 16 de abril de 1761 fez seus votos solenes. Um ano após foi admitido à ordenação sacerdotal, pois julgaram seus estudos suficientes. 


Foi então mandado para o Convento de São Francisco em São Paulo a fim de aperfeiçoar os seus estudos de filosofia e teologia, e exercitar-se no apostolado. Data dessa época a sua 
"entrega a Maria", como seu "filho e escravo perpétuo", consagração mariana assinada com seu próprio sangue a 9 de março de 1766. 


Terminados os estudos foi nomeado Pregador, Confessor dos Leigos e Porteiro do Convento, cargo este considerado de muita importância, pela comunicação com as pessoas e o grande apostolado resultante. Em 1769-70 foi designado confessor de um Recolhimento de piedosas mulheres, as "Recolhidas de Santa Teresa", em São Paulo. 


Fundação de Novo Recolhimento

Neste Recolhimento encontrou Irmã Helena Maria do Espírito Santo, religiosa que afirmava ter visões pelas quais Jesus lhe pedia para fundar um novo Recolhimento. Frei Galvão, ouvindo também o parecer de outras pessoas, considerou válidas essas visões. No dia 2 de fevereiro de 1774 foi oficialmente fundado o novo Recolhimento e Frei Galvão era o seu fundador. 

Em 23 de fevereiro de 1775, um ano após a fundação, Madre Helena morreu repentinamente. Frei Galvão tornou-se o único sustentáculo das Recolhidas. Enquanto isso, o novo capitão-general da capitania de São Paulo retirou a permissão e ordenou o fechamento do Recolhimento. Fazia isso para opor-se ao seu predecessor, que havia promovido a fundação. Frei Galvão foi obrigado a aceitar e também as recolhidas obedeceram, mas não deixaram a casa e resistiram. Depois de um mês, graças a pressão do povo e do Bispo, o recolhimento foi aberto. 

Devido ao grande número de vocações, viu-se obrigado a aumentar o recolhimento. Durante catorze anos cuidou dessa nova construção (1774-1788) e outros catorze para a construção da igreja (1788-1802), inaugurada aos 15 de agosto de 1802. Frei Galvão foi arquiteto, mestre de obras e até mesmo pedreiro. A obra, hoje o Mosteiro da Luz, foi declarada "Patrimônio Cultural da Humanidade" pela UNESCO. 

Frei Galvão, além da construção e dos encargos especiais dentro e fora da Ordem Franciscana, deu toda a atenção e o melhor de suas forças à formação das Recolhidas. Era para elas verdadeiro pai e mestre. Para elas escreveu um estatuto, excelente guia de disciplina religiosa. Esse é o principal escrito de Frei Galvão, e que melhor manifesta a sua personalidade. 

Em várias ocasiões as exigências da sua Ordem Religiosa pediam que se mudasse para outro lugar para realizar outras funções, mas tanto o povo e as Recolhidas, como o bispo, e mesmo a Câmara Municipal de São Paulo intervieram para que ele não saísse da cidade. Diz uma carta do "Senado da Câmara de São Paulo" ao Provincial (superior) de Frei Galvão: "Este homem tão necessário às religiosas da Luz, é preciosíssimo a toda esta Cidade e Vilas da Capitania de São Paulo, é homem religiosíssimo e de prudente conselho; todos acorrem a pedir-lho; é homem da paz e da caridade". 

Frei Galvão viajava constantemente pela capitania de São Paulo, pregando e atendendo as pessoas. Fazia todos esses trajetos sempre a pé, não usava cavalos nem a liteira levada por escravos. Vilas distantes sessenta quilômetros ou mais, municípios do litoral, ou mesmo viajando para o Rio de Janeiro, enfim, não havia obstáculos para o seu zelo apostólico. Por onde passava as multidões acorriam. Ele era alto e forte, de trato muito amável, recebendo a todos com grande caridade. 


Pílulas da Fé


Certo dia, Frei Galvão foi procurado por um senhor muito aflito, porque sua mulher estava em trabalho de parto e em perigo de perder a vida.
      
Frei Galvão escreveu em três papelinhos o versículo do Ofício da Santíssima Virgem: Pos partum Virgo, Inviolata permansisti: Dei Genitrix intercede pro nobis (Depois do parto, ó Virgem, permaneceste intacta: Mãe de Deus, intercedei por nós).
      D
eu-os ao homem, que por sua vez levou-os à esposa. A mulher ingeriu os papelinhos, que Frei Galvão enrolara como uma pílula, e a criança nasceu normalmente.
      Caso idêntico deu-se com um jovem que se estorcia com dores provocadas por cálculos visicais.
     
 Frei Galvão fez outras pílulas semelhantes e deu-as ao moço. Após ingerir os papelinhos, o jovem expeliu os cálculos e ficou curado.
      
Esta foi a origem dos milagrosos papelinhos, que, desde então, foram muito procurados pelos devotos de Frei Galvão, e até hoje o Mosteiro fornece para pessoas que têm fé na intercessão de Servo de Deus.


Fonte:
http://www.saofreigalvao.com/

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

24 de outubro dia Santo Antônio Maria Claret, Bispo e Confessor


Santo Antônio Maria Claret Y Clará nasceu em Sallent, na diocese espanhola de Vic, em 1807. Era o quinto entre dez filhos de modesto tecelão de Catalunha. Quando jovem, se sentia atraído para a vida contemplativa, e bem quisera ser cartuxo, mas foi desaconselhado por sacerdote que percebeu seus grandes dons de missionário. Aos vinte e dois anos entrou no seminário de Vic e saiu sacertode aos vinte e oito, com a nomeação de vigário para a sua cidade natal, dedicando-se de corpo e alma ao serviço ministerial. Seu ideal ultrapassava os limites de sua paróquia. Ficou ai pouco tempo. Para seguir a própria vocação missionária, foi a Roma pôr-se  à disposição da Congregação para a Propagação. A escolha não pareceu muito boa e então ingressou no noviciado da Companhia de Jesus, que teve de interromper por causa de uma doença. Voltando a Espanha, foi missionário em sua pátria dedicando-se à evangelização das zonas rurais. Voltando a Vic deu início em 1849 à sua mais importante obra: a fundação de uma congregação missionária dedicada ao Coração Imaculado de Maria (cujos membros são ainda hoje conhecidos com o nome de Padres Claretianos). Mas tarde fundou também o Instituto das Irmãs de Ensino de Maria Imaculada. Foi eleito arcebispo de Cuba, então sob o dominio espanhol, cuja sede estava há 14 anos vacante. Incansável viajante, fez sentir sua presença em toda parte com a palavra e com os escritos: uma benéfica chuva de boa imprensa transformou a ilha. Para os analfabetos havia a palavra oral e a imagem de Nossa Senhora. Administrou a confirmação a trezentos mil cristãos e regularizou trinta mil casamentos. Instituiu também uma escola agrária, escrevendo ele própria pequena tratada sobre o cultivo dos campos. Foi confessor da rainha da Espanha mas não se adaptou á vida da corte. Procurou estender sua jornada de trabalho prestando serviço em várias paróquias. Olhou com particular simpatia o mundo dos artistas, para os quais chegou a fundar uma academia sob a proteção de São Miguel. Foi também escritor, deixando cerca de oitenta obras. O Papa Pio XI considerava-o o “Precursor da Ação Católica” dos tempos modernos. Santo Antônio Maria Claret morreu no dia 24 de outubro de 1870, aos sessenta e três anos, em Fontfroide, França. O Papa Pio XII o incluiu no catálogo dos santos durante o ano santo de 1950. Coração amabilíssimo, onde nada de mal lhes possa suceder.

sábado, 18 de outubro de 2014

18 de outubro dia de São Lucas, Evangelista

18/10 Sábado
Festa de Segunda Classe
Paramentos Vermelhos

São Lucas, o Evangelista (do grego antigo Λουκᾶς, Loukás). São Lucas é representado pelo boi, o qual era o animal sacrificado no Templo de Jerusalém; tem em vista demonstrar o caráter sacerdotal de Cristo. Daí ter como símbolo o boi, animal sacrificado no Templo. O touro simboliza também a força, a virilidade do homem, a fecundidade e como o evangelista narra com mais descrição o nascimento do salvador quer mostrar esse lado humano de Jesus, forte, inpulsivo, e até fecundo mesmo. A figura do boi, também caracteriza, com seu alto mugido a mensagem de Cristo para salvação, o que transparece da narração de Lucas.                                                                      

São Lucas é chamado por Paulo de "O Médico Amado"(Colossenses 4:14), pode ter sido um dos cristãos do primeiro século que conviveu pessoalmente com os doze apóstolos. Evangelista cristão de formação grega nascido em Antióquia, na Síria, é, segundo, a tradição, autor do Terceiro dos Evangelhos Sinóticos e dos Atos dos Apóstolos, seus textos são os de maior expressão literária do Novo Testamento. Por seu estilo literário, acredita-se que pertencia a uma família culta e abastada e, de acordo com a tradição, exercia a profissão de médico e tinha talento para a pintura. Converteu-se ao cristianismo e tornou-se discípulo e amigo de Paulo de Tarso, porém segundo seu próprio relato, não chegou a conhecer pessoalmente Jesus Cristo, pois ainda era muito criança quando o Messias foi crucificado. Paulo o chamava de colaborador e de médico amado e segundo o testemunho dos Atos dos Apóstolos e das Cartas de São Paulo, que constituem os únicos dados biográficos autênticos, acompanhou o apóstolo em sua segunda viagem missionária de Trôade a Filipos, onde permaneceu por seis anos seguintes. Depois novamente acompanhou Paulo, desta vez  numa viagem de Filipos a Jerusalém (57-58). Também esteve presente na prisão do apóstolo em Cesaréia e o acompanhou até Roma. Com a execução do apóstolo e seu mestre (67), deixou Roma e, de acordo com a tradição cristã, enquanto escrevia seu Evangelho, teria pregado em Acaia, na Beócia e também na Bitínia, onde teria morrido (70). Porém existem várias versões sobre o local e como morreu. Uma versão registra que foi martirizado em Patras e, segundo outras, em Roma, ou ainda em Tebas.



São Lucas sem dúvida conversava muito com a Mãe de Nosso Senhor Jesus e com São João. Sempre andava com uma pintura de Nossa Senhora com ele, e ela foi o instrumento de varias conversões. Na verdade ele foi um grande artista e grande escritor, e suas narrativas inspiraram grandes escritores e grandes mestres da arte, mas as pinturas existentes da Virgem, a qual é dito que ele teria pintado, são trabalhos de datas bem mais recentes. Não obstante alguns julgam que a pintura de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro teria sido pintada por ele. O documento traduzido por São Jerônimo, trouxe a informação que o evangelista teria vivido até os oitenta e quatro anos de idade. A tradição diz que sua morte pelo martírio em Patras, na Grécia, foi apenas um legado dessa antiga tradição cheio do Espírito Santo, na Bitínia.



Leitura da Epístola                                                                                                                                                        


II Coríntios 8,16-24
16.Bendito seja Deus, por ter posto no coração de Tito a mesma solicitude por vós.17. Não só recebeu bem o meu pedido, mas, no ardor do seu zelo, espontaneamente partiu para vos visitar.18.Juntamente com ele enviamos o irmão, cujo renome na pregação do Evangelho se espalha em todas as igrejas.19.    Não só isto, mas foi destinado também pelos sufrágios das igrejas para nosso companheiro de viagem, nesta obra de caridade, que por nós é administrada para a glória do Senhor, em testemunho da nossa boa vontade.20.Queremos evitar assim que alguém nos censure por motivo desta importante coleta que empreendemos, 21.porque procuramos fazer o bem, não só diante do Senhor, senão também diante dos homens.22.Com eles enviamos ainda outro nosso irmão, cujo zelo pudemos comprovar várias vezes e em diversas ocasiões. Desta vez se mostrará ainda mais zeloso, em razão da grande confiança que tem em vós.23.Quanto a Tito, é o meu companheiro e o meu colaborador junto de vós; quanto aos nossos irmãos, são legados das igrejas, que são a glória de Cristo. 24. Portanto, em presença das igrejas, demonstrai-lhes vossa caridade e o verdadeiro motivo da ufania que sentimos por vós.

Sequência do Santo Evangelho



São Lucas 10,1-9  
1.Depois disso, designou o Senhor ainda setenta e dois outros discípulos e mandou-os, dois a dois, adiante de si, por todas as cidades e lugares para onde ele tinha de ir. 2.Disse-lhes: Grande é a messe, mas poucos são os operários. Rogai ao Senhor da messe que mande operários para a sua messe.3.Ide; eis que vos envio como cordeiros entre lobos.4. Não leveis bolsa nem mochila, nem calçado e a ninguém saudeis pelo caminho.5.Em toda casa em que entrardes, dizei primeiro: Paz a esta casa!6.Se ali houver algum homem pacífico, repousará sobre ele a vossa paz; mas, se não houver, ela tornará para vós.7.Permanecei na mesma casa, comei e bebei do que eles tiverem, pois o operário é digno do seu salário. Não andeis de casa em casa.8.Em qualquer cidade em que entrardes e vos receberem, comei o que se vos servir.9.Curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: O Reino de Deus está próximo.


quarta-feira, 15 de outubro de 2014

15 de Out. dia de Santa Teresa de Jesus

"Tudo que se tem a dizer sobre Teresa Sanchez Cepeda D'Ávila y Ahumada é extraordinário. Ela viveu e ensinou a oração pessoal como sendo a busca de uma intimidade maior com Deus. Escreveu como um poeta, cantando as glórias do Senhor do Céu e da Terra, depois de ter convivido misticamente com Ele. Reformou e aperfeiçoou o estilo de vida religiosa. Foi doutora em matéria de religião e de religiosidade. Ultrapassando os limites de si mesma, ela foi mais além: foi Santa. E uma grande Santa. Por isso mesmo é que ela é chamada de Teresa, a Grande."



Teresa D'Ávila, Teresa de Jesus ou Teresa, a Grande, nasceu na região de Castela (Espanha), em Ávila, uma cidade medieval cercada por muralhas de pedras grandes e claras que se tornam douradas quando o sol está se pondo. Ela era a terceira filha do casal Alonso Sanchez Cepeda com Beatriz D'Ávila y Ahumada e tinha vários irmãos, porque Dom Alonso teve três filhos em um primeiro casamento e outros nove de seu casamento com Dona Beatriz. Era da pequena nobreza. Nasceu em 28 de março de 1515.
A reforma do Carmelo e sua experiência metódica da oração pessoal na busca de uma intimidade com Deus formam seu maior legado deixado para os fiéis da Santa Igreja.
Desde menina Teresa gostava de ler história da vida de santos. Acompanhava-lhe neste gosto seu irmão Rodrigo que tinha idade próxima da dela. Os dois admiravam em conjunto a coragem e heroísmo dos santos na luta pela conquista da gloria eterna. E porque os admirava, os dois tinham seus pensamentos sempre colocados na eternidade onde os bem-aventurados já viviam.
Ao conhecer a vida dos mártires, julgaram que eles tinham conseguido ir para o céu com muita facilidade. Estavam tão certos disso que decidiram partir para o país dos mouros: ali, com certeza, seriam martirizados, morreriam defendendo a fé e estariam logo no céu, mais facilmente que de qualquer outro modo...
Então os dois decidiram fugir de casa. Pediram a Deus que lhes concedesse a graça de dar a vida por Cristo e partiram a procura de quem os martirizasse.A aventura das duas crianças durou pouco. Estavam ainda próximo de Ávila, em Adaja, quando foram vistos por um de seus tios que as conduziu novamente para junto da aflita mãe.
A culpa de tudo recaiu sobre Teresa. Quando foram repreendidos pela mãe, Rodrigo acusou a irmã de ter sido a idealizadora do plano frustrado. Mas os dois não se separaram e nem esqueceram seu ideal: eles resolveram viver como eremitas. Sem nunca conseguir, pensavam construir suas celas nos jardins da casa e lá viver na solidão.
Dona Beatriz morreu quando Teresa tinha quatorze anos: "quando me dei conta da perda que sofrera, comecei a entristecer-me. Então me dirigi a uma imagem de Nossa Senhora e supliquei com muitas lágrimas que me tomasse como sua filha", disse ela. Aos quinze anos Dom Alonso levou Tereza para estudar no Convento das Agostinianas de Ávila.
Um ano depois, seu pai foi buscá-la. Uma doença a impedia de continuar vivendo ali. Por essa ocasião foi que a jovem viu nascer em seu coração uma forte atração para a vida religiosa passando a pensar seriamente nisso. Mas ela tinha dúvidas quanto a decisão a tomar. A vida religiosa a atraia e assustava, ao mesmo tempo.
Foi a leitura das "Cartas", de São Jerônimo que lhe ajudou na decisão. Ela comunicou seu desejo ao pai e ele recomendou que a filha aguardasse a morte dele para depois procurar um convento. Mas não foi bem isso o que aconteceu. Numa madrugada, tendo já 20 anos, a futura santa fugiu para o Convento de La Encarnación, em Ávila, com a intenção de não voltar mais para casa.
E Teresa ficou no Convento da Encarnação. Dom Alonso viu que sua vocação era séria e não mais colocou objeção à entrada dela na vida religiosa. Um ano depois de sua entrada no Carmelo, ela emitiu seus votos, tornando-se Carmelita.
Uma grave enfermidade fez com que seu pai a levasse de volta para casa afim de que pudesse ser tratada de uma enfermidade que novamente lhe havia atacado. Mas os médicos não conseguiram debelar a doença que logo se agravou. Teresa suportou aquele sofrimento, graças a um livrinho que lhe fora dado de presente por seu tio Pedro: "O terceiro alfabeto espiritual", de autoria de um Padre chamado Francisco de Osuna. Ela seguiu as instruções do pequeno livro que a introduziu na pratica da oração mental.
Depois de passar três anos em casa, ela recuperou a saúde e retornou ao Carmelo. Levou consigo as ideias contidas no livreto do Padre Francisco.
Costumes inconvenientes e nada edificantes espalharam-se pelos conventos espanhóis da época de Teresa. Um desses costumes era de que as religiosas podiam receber todos os visitantes que desejassem, a qualquer hora. Teresa também foi vítima desse costume: passava grande parte de seu tempo conversando no locutório do mosteiro.
Santa Teresa Zurbarán_.jpg
Isto a levou ao descuido com as orações, sobretudo descuidava-se da oração mental. Muitas vezes ela encontrava desculpas para esse relaxamento em suas enfermidades. Suas doenças justificariam suas falhas nesse ponto ou... a impediam de meditar. E isso ela praticava sem susto nenhum. 
Foi o confessor de Teresa que lhe mostrou o perigo em que se encontrava sua alma e aconselhou-a a voltar à prática intensiva das orações. Embora ainda não tivesse decidido a entregar-se totalmente a Deus, levando uma vida de contemplativa, e não tivesse renunciado totalmente as horas que passava no locutório, conversando e trocando presentes com seus visitantes, ela acatou o conselho de seu confessor e deu mais atenção à vida de oração, voltando a meditar. 
Com o novo modo de vida de oração, ela acabou, aos poucos compreendendo seus defeitos e como era "indigna". Por isso invocava com frequência grandes santos penitentes, sobretudo Santo Agostinho e Santa Maria Madalena. A eles estão associados dois fatos que foram decisivos na vida da santa.
O primeiro deles foi a leitura das "Confissões" do Bispo de Hipona. O segundo foi um chamado à penitência que ela sentiu quando rezava diante de um quadro representando a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo: "Senti que Santa Maria Madalena vinha em meu socorro ... e desde então progredi muito na vida espiritual", afirmou Teresa.
Ela sentia-se muito atraída pelas imagens de Cristo ensanguentado, em agonia. Em certa ocasião, estando aos pés de um crucifixo que trazia marcas das chagas de Cristo e muito sangue, ela perguntou: "Senhor, quem vos colocou aí?" E pareceu-lhe ouvir uma voz que vinha do crucificado: "Foram tuas conversas no parlatório que me puseram aqui, Teresa".
Ela chorou muito e a partir de então não voltou a perder tempo com conversas inúteis e com as amizades que não a levavam à santidade. Era uma mudança de vida radical, "orientada" pelos céus, algo muito próprio para quem iria tornar-se uma das maiores místicas da Igreja.
Em sua vida, o recolhimento, a atividade e as dificuldades eram inseparáveis. Na última de suas fundações, o mosteiro de Burgos, as dificuldades não diminuíram. Quando o convento já ia com suas obras adiantadas, em julho de 1582, Santa Teresa tinha intenção de retornar a Ávila. Porém foi forçada a mudar seus planos e dirigindo-se para Alba de Tormes. Pretendia visitar a duquesa Maria Henríquez. A viagem não estava bem programada e a Santa estava tão fraca que desmaiou no caminho. Chegando a Alba, Teresa piorou.
Três dias depois ela disse à Beata Ana de São Bartolomeu, sua acompanhante na viagem: "Finalmente, minha filha, chegou a hora de minha morte".
O Pe. Antônio de Heredia foi quem ministrou-lhe os últimos sacramentos. Quando ele levou-lhe o viático, a Santa conseguiu erguer-se do leito e todos ouviram quando ela exclamou: "Oh, Senhor, por fim chegou a hora de nos vermos face a face!" Pouco depois, os que estavam em torna de seu leito puderam ouvir sua última frase: "Morro como filha da Igreja".
Eram 9 horas da noite do dia 4 de outubro de 1582. Como exatamente no dia seguinte efetuou-se a mudança para o calendário gregoriano, sendo suprimidos dez dias na contagem dos anos, a comemoração de sua morte foi fixada para o dia 15 de outubro. Ela foi sepultada em Alba de Tormes, onde repousam suas relíquias.
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Em 1614 foi beatificada pelo Papa Paulo V. Em 1622 foi canonizada por Gregório XV. O Papa Paulo VI, em 27 de setembro de 1970 proclamou Santa Tereza como Doutora da Igreja.
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Santa Teresa de Ávila é uma das maiores personalidades da mística católica de todos os tempos, sendo considerada como um dos maiores gênios que a humanidade já produziu. Ateus e livres-pensadores se veem obrigados a enaltecer sua viva e penetrante inteligência; reconhecem a força persuasiva de seus argumentos, bem como seu estilo vivo e atraente, além de seu profundo bom senso.
O grande Doutor da Igreja, Santo Afonso Maria de Ligório, tinha Santa Teresa em tão alta estima que a escolheu como patrona, e a ela consagrou-se como filho espiritual, enaltecendo-a em muitos de seus escritos. (JSG)

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

13 de Out. Beata Alexandrina Maria

ALEXANDRINA MARIA DA COSTA nasceu em Balasar, Póvoa de Varzim, Arquidiocese de Braga, no dia 30 de Março de 1904, e foi baptizada no dia 2 de Abril, Sábado Santo. Foi educada cristãmente pela mãe, junto com a irmã Deolinda. Alexandrina viveu em casa até aos 7 anos. Depois foi para uma pensão dum marceneiro na Póvoa de Varzim a fim de frequentar a escola primária que não existia em Balasar. Fez a primeira comunhão na sua terra natal em 1911 e no ano seguinte recebeu o sacramento da Crisma pelo Bispo do Porto.
Passados 18 meses, voltou a Balasar e foi morar com a mãe e a irmã na localidade do “Calvário”, onde irá permanecer até à morte.

Robusta de constituição física, começou a trabalhar nos campos, equiparando-se aos homens e a ganhar o mesmo que eles. A sua infância foi muito viva: dotada de temperamento feliz e comunicativo, era muito querida pelas colegas. Aos 12 anos, porém, adoeceu: uma grave infecção (uma febre tifóide, talvez) colocou-a quase à morte. Superou a doença, mas a sua saúde ficou abalada para sempre.
Aos 14 anos aconteceu um facto que seria decisivo para a sua vida.

Era Sábado Santo de 1918. Nesse dia, ela, a irmã Deolinda e mais uma mocinha aprendiz, estavam a trabalhar de costura, quando perceberam que três homens tentavam a entrar na sala onde se encontravam. Embora estivessem fechadas, os três homens forçaram as portas e conseguiram entrar. Alexandrina, para salvar a sua pureza ameaçada, não hesitou em atirar-se pela janela, de uma altura de quatro metros. As consequências foram terríveis, embora não imediatas. De facto, as várias visitas médicas a que foi sucessivamente submetida diagnosticaram, cada vez com maior clareza, um facto irreversível.

Até aos 19 anos pôde ainda arrastar-se até a igreja, onde gostava de ficar recolhida, com grande admiração das pessoas. A paralisia foi avançando cada vez mais, até que as dores se tornaram insuportáveis; as articulações perderam qualquer movimento; e ela ficou completamente paralisada. Era o dia 14 de abril de 1925 quando Alexandrina ficou definitivamente de cama. Ali haveria de passar os restantes 30 anos de sua vida.

Até 1928 não deixou de pedir a Deus, por intercessão de Nossa Senhora, a graça da cura, prometendo que se sarasse partiria para as missões. Depois compreendeu que a sua vocação era o sofrimento. Abraçou-a prontamente. Dizia: “Nossa Senhora concedeu-me uma graça ainda maior. Depois da resignação deu-me a conformidade completa à vontade de Deus e, por fim, o desejo de sofrer”.

São desse período os primeiros fenómenos místicos: Alexandrina iniciou uma vida de grande união com Cristo nos Tabernáculos, por meio de Nossa Senhora. 

Um dia em que estava só, veio-lhe improvisamente este pensamento: “Jesus, tu és prisioneiro no Tabernáculo. E eu por tua vontade prisioneira na minha cama. Far-nos-emos companhia”. Desde então começou a primeira missão: ser como a lâmpada do Tabernáculo. Passava as noites como em peregrinação de Tabernáculo em Tabernáculo. Em cada Missa oferecia-se ao Eterno Pai como vítima pelos pecadores, junto com Jesus e segundo as suas intenções.

Quanto mais clara se tornava a sua vocação de vítima tanto mais crescia nela o amor ao sofrimento. Comprometeu-se com voto a fazer sempre o que fosse mais perfeito.

De sexta-feira, 3 de Outubro de 1938 a 24 de Março de 1942, ou seja por 182 vezes, viveu, em todas as sextas-feiras, os sofrimentos da Paixão: Alexandrina, superando o estado habitual de paralisia, descia da cama e com movimentos e gestos, acompanhados de angustiantes dores, repetia, por três horas e meia, os diversos momentos da Via Crucis.

“Amar, sofrer, reparar” foi o programa que o Senhor lhe indicou. Desde 1934, a convite do padre jesuíta Mariano Pinho, que a dirigiu espiritualmente até 1941, Alexandrina punha por escrito tudo quanto, vez por vez, lhe dizia Jesus.

Em 1936, por ordem de Jesus, pediu ao Santo Padre, através do P. Pinho, a consagração do mundo ao Coração Imaculado de Maria. Este pedido foi renovado várias vezes até 1941, pelo que a Santa Sé interrogou três vezes o Arcebispo de Braga a respeito de Alexandrina. No dia 31 de Outubro de 1942, Pio XII consagrou o mundo ao Coração Imaculado de Maria com uma mensagem transmitida de Fátima em língua portuguesa. Este acto foi repetido em Roma na Basílica de São Pedro no dia 8 de Dezembro do mesmo ano de 1942.

Depois de 27 de Março de 1942, Alexandrina deixou de se alimentar, vivendo exclusivamente da Eucaristia. Em 1943, por quarenta dias e quarenta noites, foram rigorosamente controlados por médicos o jejum absoluto e a anúria, no hospital da Foz do Douro, no Porto.

Em 1944, o novo director espiritual, P. Umberto Pasquale, salesiano, após constatar a profundidade espiritual a que tinha chegado, animou Alexandrina a continuar a ditar o seu diário; fê-lo com espírito de obediência até à morte. No mesmo ano de 1944 Alexandrina inscreveu-se na União dos Cooperadores Salesianos. E quis pôr o seu diploma de Cooperadora «em lugar bem visível a fim de o ter sempre debaixo dos olhos» e colaborar com o seu sofrimento e as suas orações para a salvação das almas, sobretudo juvenis. Rezou e sofreu pela santificação dos Cooperadores Salesianos de todo o mundo.

Apesar dos sofrimentos, continuava a dedicar-se aos problemas dos pobres, do bem espiritual dos paroquianos e de muitas outras pessoas que a ela recorriam. Promoveu em sua paróquia tríduos e horas de adoração.

Especialmente nos últimos anos de vida, muitas pessoas, vindas de longe, atraídas pela fama de santidade, visitavam-na; muitas atribuíam a própria conversão aos seus conselhos.
Em 1950, Alexandrina festejou o 25º ano de sua imobilidade. E em 7 de Janeiro de 1955 foi-lhe preanunciado que aquele seria o ano da sua morte. De facto, dia 12 de Outubro quis receber a unção dos enfermos. E dia 13, aniversário da última aparição de N. Sra. de Fátima, ouviram-na exclamar: “Sou feliz porque vou para o céu”. Às 19h30 expirou.

Sobre a sua campa podem ler-se estas palavras por ela tão desejadas:
“Pecadores, se as cinzas do meu corpo puderem ser úteis para a vossa salvação, aproximai-vos: passai todos por cima delas, pisai-as até desaparecerem, mas não pequeis mais! Não ofendais mais o nosso Jesus! Pecadores, queria dizer-vos tantas coisas. Não bastaria este grande cemitério para escrevê-las todas! Convertei-vos! Não queirais perder a Jesus por toda a eternidade! Ele é tão bom!... Amai-O! Amai-O! Basta de pecar!”.

É a síntese da sua vida gasta exclusivamente para salvar as almas.
No Porto, na tarde do dia 15 de Outubro, os vendedores de flores viram-se sem nenhuma flor branca: todas tinham sido vendidas para a homenagem floral a Alexandrina, que tinha sido a rosa branca de Jesus.

Beata Alexandrina Maria, intercedei a Deus por nós! 

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

08 de Out. dia de Santa Brígida

Brígida nasceu em 1302 na majestosa província de Uppsala (Suécia), no Castelo de Finsta em Norrtälje. Seus pais pertenciam a Família Real, eram cristãos fervorosos e extremamente piedosos, em tudo conciliavam a fé com a vida. Era uma família admirada por toda a corte e até em outros reinos.

A pequena Brígida até os 3 anos de idade, não falava, de repente falou com facilidade e desenvoltura. Aos 7 anos de idade teve a sua primeira experiência mística: viu Nossa Senhora, que lhe sorriu e colocou sobre sua cabeça uma majestosa coroa e depois desapareceu.

Com a idade de 10 anos, depois de ouvir um sermão na igreja local sobre a Paixão de Cristo, ficou muito impressionada com as crueldades e terríveis sofrimentos. Alguns dias depois, teve uma visão de Cristo pregado na cruz, coberto de chagas, e o Senhor lhe disse essas palavras: “Olha em que estado me encontro, minha filha.” Ela perguntou: “Jesus quem te fez isto?” – Nosso Senhor respondeu: “Aqueles que me ofendem e não querem o Meu amor”. Essa visão deixou uma profunda e indelével marca em seu coração.

Também aos 10 anos, experimentou a dor da separação: sua mãe adoece gravemente e falece em 1312. Seu pai, sentindo-se desorientado, enviou a pequena Brígida à casa de sua cunhada Catarina, em Aspanäs.

Ao completar 14 anos de idade, e atendendo as ordens de seu pai e parentes, casa-se com Ulf Ulväsa, príncipe da Nércia. Com ele viveu um matrimônio feliz por 28 anos e como frutos desse casamento tiveram 8 filhos (4 meninos e 4 meninas). Carlos, o mais velho, tornou-se homem de vida desregrada. Dois meninos morreram ainda crianças, e o quarto era Gudmaro. As mulheres se casaram, porém a terceira, ficando viúva, tornou-se religiosa e santa e foi canonizada como Santa Catarina da Suécia; a quarta entrou para a Ordem de Cister, também como religiosa.

Brígida com seu marido, realizaram muitas peregrinações a lugares Santos, inclusive Santiago de Compostela. Em comum acordo, fazem votos a Deus e a Ele se consagram interamente. Foram morar em uma humilde casa perto do Mosteiro de Alvastra. Ulf é acometido de grave enfermidade e, não suportando, falece em 1344.

Brígida permanece na mesma casa por mais 4 anos em oração e penitência. Foi nessa época, e depois de distribuir todos os seus bens, que as visões se tornaram mais numerosas e frequentes. As revelações divinas não eram mais através de sonhos, mas sim quando estava desperta e em oração. Muitas vezes ficava em êxtase. Certa vez Jesus lhe disse: “Brígida, o que Eu te falo, não é somente para ti... Mas por meio de ti falarei ao mundo.”

Brígida era a primeira na fila à sucessão Real, e foi indicada a tornar-se Princesa. Invocando o Espírito Santo, consegue se esquivar da realeza para se dedicar unicamente ao Reino de Deus.

As visões e revelações de Santa Brígida se referiam aos assuntos mais polêmicos de sua época; muitos reconheceram que graças a essas visões muitos acordos de Paz foram firmados, acertos políticos entre estados, se deram graças as revelações de Brígida. Todas essas visões foram escritas em latim pelo prior do Mosteiro de Santa Maria, Pe. Pedro de Skninge, era o confessor e confidente de Santa Brígida.

Por inspiração divina, Bríginda fundou em Vadstena um Monastério e, mais adiante, a Ordem do Santíssimo Salvador, também conhecida por “Ordem Brigidina”, que perdura até hoje. Seu ministério apostólico compreendeu sua austeridade, sua devoção e peregrinação aos Santuários, sua severidade consigo e sua bondade com o próximo e sua entrega e sua entrega total aos cuidados dos pobres e doentes.

Em 1349, Brigída viajou para Roma a fim de conseguir autorização do Papa para fundar a nova ordem. Enquanto aguardava a volta do Papa de Avignon, foi residir perto da Igreja de São Lourenço e nas imediações esmolou em favor dos pobres e necessitados. Também nesse tempo de espera visitou Assis, Nápoles etc. Somente em 1368 conseguiu de Urbano V, que depois de varias modificações, aprovou as regras.

Em 1371 viajou a Terra Santa, regressou a Roma em 1373 e, com 71 anos, Brígida sente suas forças desaparecerem, vindo a falecer logo em seguida. Foi sepultada na Igreja de São Lourenço, em Roma; seu corpo mais tarde foi transladado para a Suécia em atenção ao seu pedido. Em 1377, foi publicada a primeira edição de suas “Aparições Celestiais”. Santa Brígida foi Canonizada em 1391, e elevada a categoria de patrona da Suécia e Copatrona da Europa.

Segundo o Calendário Litúrgico Tradicional, sua Festa é a 8 de outubro, data que se segue ao dia de sua canonização (7 de outubro).

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

06 de outubro dia São Bruno, Confessor.


Educado na Alemanha (nasceu em Colônia, da nobre família dos Hartefaust), atuou na França e na Itália. Nomeado chanceler da diocese de Reims, denunciou o próprio bispo Manassés por simonia. Teve de refugiar-se em Colônia até o bispo ser deposto pelo Concílio de Lyon.

Bruno voltou para a França e permaneceu sob a direção de São Roberto no ermo de Solesmes. Após presenciar, durante umas exéquias, uma revelação de que o morto fora condenado ao inferno, procurou, com outros companheiros, um lugar mais solitário para erigir seu mosteiro. Recebeu-o como doação do santo bispo de Grenoble, Hugo: um inteiro vale solitário, chamado Cartuxa, nos Alpes do Delfinado.

Em 1078 nasceu a primeira cartuxa, que mais tarde será chamada a Grande Chartreuse, casa mãe dos cartuxos. Os monges alternavam a recitação do Ofício com os trabalhos manuais. Era o lugar ideal com que Bruno sempre havia sonhado. Mas nele ficou por pouco tempo.

Um de seus discípulos, tornado papa com o nome de Urbano II, chamou-o a Roma como conselheiro. Bruno levou consigo seus monges e adaptou como mosteiro as termas de Diocleciano, transformadas depois na grande basílica de Miguel Ângelo de Santa Maria dos Anjos.

Eram tempos de grande turbulência em Roma, e o partido vitorioso do antipapa obrigou Urbano II a refugiar-se no Sul. Bruno mandou novamente seus monges a Grenoble e, no séquito do papa, procurou na Calábria um lugar adequado para fundar uma segunda cartuxa.

Encontrou-o na localidade que hoje leva seu nome, serra São Bruno, no coração da Sila, “uma planície vasta e risonha, cercada de pastagens verdejantes e bordada de flores”, escreve Bruno a seus monges. “Esta paz que o mundo ignora é propícia para a alegria do Espírito Santo.” 
O duque das Apúlias e conde da Calábria, que lhe havia feito a doação do terreno, teve em troca a amizade e a preciosa guia do santo eremita.

Este, sentindo-se próximo da morte, reuniu em torno de si os monges e ditou sua profissão de fé no mistério trinitário e eucarístico. Morreu a 6 de outubro, dia em que é comemorado. Seu corpo, encontrado incorrupto em 1513, foi sepultado na atual cartuxa de serra São Bruno, província de Catanzaro. O santo é desde sempre invocado contra as possessões diabólicas.