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quarta-feira, 15 de outubro de 2014

'O Trabalho'

Como Deve ser a Vida e a Morte
de uma Boa Filha de Maria


Traduzido do francês por uma Filha de Maria
Livro de 1929 - 110 págs




Ponho-me sob as vossas visitas, oh! boa Mãe, recebi meu trabalho como um perpétuo ato de amor.

- De tua assiduidade e teu devotamento ao trabalho, tudo quanto faze para o Céu, sou testemunha e tomarei conta;
serás recompensada.

Nos seus atos, os mais simples e ordinários, a Virgem S. S. dava tal brilho, pela pureza de intenção e pelo amor, que deles tirava um número inesgotável de graças. 

Tomava ela o seu fuso, preparava as refeições compenetradíssima da presença de Deus, porém sempre modesta, humilde, confiante, filial... que o menor de seus atos, feito com perfeito amor, lhe juntou inestimáveis tesouros de méritos.

Filha de Maria, não te esqueças de durante o teu trabalho entreteres-te com tua doce Mãe, como Ela fazia com Deus...

Reitera sempre tuas aspirações; não procures afastar estes transportes de ternura.
Renova a miúdo o amor que cada vez mais afervora e toca teu coração.

Faz tudo por agradar a Deus, como Maria tua Mãe, e nada te parecerá, fútil, humilhante e muito pesado. 

Colóquio

Minha doce Mãe, quero em todos os meus deveres, unir-me a vós, tudo fazendo por Vós, para vós e com Vosco.


Prática

Trabalhar sempre alegre em união com a Virgem Maria.

'A Oração'

Como Deve ser a Vida e a Morte
de uma Boa Filha de Maria


Traduzido do francês por uma Filha de Maria
Livro de 1929 - 110 págs


Falai, minha Mãe, vossa filha vos escuta!... Que quereis que eu faça?...
Mostrai-me os segredos do amor divino.

- Eu revelo meus segredo ás almas simples e puras, obtendo-lhes as luzes do Céu, a boa vontade para d'elas se aproveitar! Sê fiel custe o que custar.


Minha filha! Tu que tens a felicidade de pertencer à Mãe de Deus, nunca comeces nenhuma oração, seja vocal, seja mental, sem te aproximares interiormente de Maria, imitando as criancinhas que se conservam sempre agarradas as suas mães, que não ousam dar um passo sem lhes segurarem com firmeza nas mãos, que não se apresentam em parte alguma sem serem dirigidas e sustentadas por elas.

Que o S. S. Coração de Maria seja teu oratório; penetra bem interiormente nesse Coração, 
une teus desejos aos seus, tuas aflições as suas, e as de orar, meditar com a mesma fé, com a mesma confiança, com a mesma pureza e o mesmo amor que fazia a Virgem Santíssima.

Oh! como são agradáveis à S. S. Trindade as orações que são feitas nesse santuário de graça e inocência.

Colóquio

Oh! minha terna e querida Mãe, nada posso sem vós, nada quero senão para vós!
Ensinai-me o verdadeiro amor.

Prática

Fazer todos os atos de piedade, unida ao S. S. Coração de Maria.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

'O Levantar'

Como Deve ser a Vida e a Morte
de uma Boa Filha de Maria


Traduzido do francês por uma Filha de Maria
Livro de 1929 - 110 págs



Sou toda vossa, oh! minha doce e boa Mãe, tudo que tenho Vos pertence; dai-me vossa santa benção.

Filha de Maria ao despertar deposita o teu Coração no Coração Imaculado da Rainha das Virgens, que te
guardou amorosamente durante o repouso; beija com piedade tua medalha e fazendo o sinal da Cruz,
pede uma benção de pureza que te livre até da sombra do mal; uma benção de fidelidade que te conduza pela estrada da salvação e uma benção de amor que una teu coração ao da SS. Virgem, que te faça tudo sacrificar para agradecer a Deus

Colóquio

Oh! minha boa Mãe! eis o meu coração, ele é todo vosso!
Eu o deponho em vossas mãos juntamente com meu corpo, como fez o pequenino Jacob, dando a sua mãe Rebecca os dois cabritinhos. 

Dai-me a vossa santa benção para que nesse dia tudo em mim seja consagrado á glória e ao serviço de Deus,
por vossas mãos virginais. 


Prática

Lembra-te muitas vezes ao dia da Sma. Virgem, dizendo uma jaculatória. 


'A Consagração'

Como Deve ser a Vida e a Morte
de uma Boa Filha de Maria




Traduzido do francês por uma Filha de Maria
Livro de 1929 - 110 págs




Me ofereço inteiramente a Vós, oh! minha boa Mãe, minh'alma, meu coração, todo meu ser,
tudo que possuo entrego em vossas mãos Imaculadas; disponde de mim como vos aprouver!...



Lembra-te sempre, minha filha, do solene contrato que fizestes com a Virgem Santíssima;

tu lhe destes teu coração e recebestes o seu. - Cumpriu-se então um mistério inefável... 
Jesus, o divino Mestre  repete estas palavras de amor. ditas da Cruz, no monte Calvário: Eis aí a tua filha... Eis aí a tua Mãe!...

Está consumada a adoção e tu podes proclamar cheia de santo entusiasmo: 
Meu coração me pertence mais, dei-o inteiramente a Maria!...

Colóquio

Oh! minha terna mãe! antes mil vezes morrer, que retirar a dádiva que vos fiz!
Reina sobre mim, SSma. Virgem; funda em meu coração, Vós e vosso Divino Filho, um reino de amor coroado pela perseverança.

Prática

Renovar todos os sábados sua consagração a Virgem Maria


Extraído: http://alexandriacatolica.blogspot.com.br/

Vida e Morte da Filha de Maria

Como Deve ser a Vida e a Morte
de uma Boa Filha de Maria


Traduzido do francês por uma Filha de Maria
Livro de 1929 - 110 págs


Sim, ouço-a!... é a estrela da vida, é Maria, a brilhante luz, o farol que me guiará para o Céu!

Queres ser feliz, minha filha? Levanta os olho e contempla a Estrela da Salvação!
 Seus raios benfazejos  espalham sobe o teu coração as suas centelhas para ilumina-lo, desapegai-o deste mundo,  conduzindo-o sem tropeços para a vida eterna!

     
Colóquio

Oh! Maria, minha dôce e carinhosa Mãe! Como sou feliz!

O vosso olhar amoroso e terno, cheio de misericórdia, pousou sobre mim apesar de tão indigna!

Atendi o vosso apelo carinhoso e me entrego inteiramente em vossas mãos; adeus mundo e seus prazeres... adeus suas vaidades e seus frívoloso louvores...

Já fiz minha escolha! a Rainha das Virgens conquistou meu coração; Ela me chamou, me procurou, encheu-me de graças; direi em toda minha vida até meu último suspiro: Atraí-me e correrei feliz ao Vosso encontro, o suave perfume de vossas virtudes será minha delícia!

Prática

Desejar ardentemente pertencer e imitar a SSma. Virgem. 


Extraído do site: http://alexandriacatolica.blogspot.com.br/

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

A Virgem Maria fala ao coração das moças

Tu sabes, minha filha, para que fim te criou Deus? E se o sabes, como tens podido desviar-te dele tão estranhamente? Certamente te não foi dado esse corpo com sua sensibilidade, seus dons de graça e de beleza, para fazeres dele um instrumento de escândalo e de pecado. Da mesma sorte te não foi dada esta alma, com suas nobres faculdades, inteligência, memória e vontade para estudar as vaidades do século, para conceberes imagens impudicas ou frívolas, para procurares o teu bem nas criaturas em lugar de o procurares no Criador.

Ah! que culpável abuso tens feito até ao presente dos benefícios do céu! Tu bem sabes, minha querida filha, para que fim Deus te criou. É para o conheceres, amares, e servires nesta vida, e por esse meio adquerires a glória eterna que te preparou na eternidade. Poderias acaso desejar fim mais nobre e sublime? Poderia Ele, não obstante a sua omnipotência, dar-t'o melhor? Não o tem os príncipes mais graduados e gloriosos da corte celeste; não o tenho eu mesma. Mas de que modo tens tu correspondido à bondade de Deus? Ah! se queres que eu seja para ti uma verdadeira Mãe, mostra-te para mim uma verdadeira filha: não degeneres dos meus exemplos. Desde o primeiro instante que a minha inteligência se abriu à razão, dediquei-me logo a Deus com a veemência de um coração ardente, e a chama feliz, que neste momento m'o abrasa, não mais se extinguiu. Desde então, o meu pensamento foi fazer a vontade de Deus e tornar-me cada vez mais digna d'Ele. Mas tu, que tens feito? Ah! o teu primeiro desejo foi agradar o mundo, a tua aplicação foi seguir-lhe as máximas e costumes. Não tens conhecido Deus senão para o ofender. Gastaste a infância, que é a mais bela idade, - a idade da inocência - em puerilidades, em preocupações que fazem corar, em desobediências a teus superiores, em desprezo por teus inferiores e iguais. Tens-te deleitado desde então com as modas e vaidades. Tens as seguido sem compreender bem o mal que te acarretam. Fizeste delas um ídolo para conseguires ser tu própria um ídolo dos outros corações. Não sentes confusão alguma à vista de uma vida tão indigna de uma virgem cristã? Não te aflige teres-te desviado tão tristemente do fim para que foste criada? 




Que engano é o teu, ó querida filha, se crês achar no mundo a felicidade que sonhas, mesmo quando tudo corresse conforme os teus desejos, as riquezas e grandezas do mundo não podem fazer-te feliz. O teu coração, apto a gozar um bem imutável e infinito, coração criado para um igual bem, nunca poderá estar satisfeito gozando apenas felicidades limitadas e passageiras.

Deixa-te convencer pelo exemplo de tantas pessoas que no mundo vivem no meio de delícias e riquezas. Julga-las felizes, mas se pudesses penetrar com a vista em seus corações e ver a tempestade terrível de aflições, de temores e remorsos que incessantemente lhes agita e tortura a consciência, em vez de lhes invejares a sorte terias piedade de sua desgraça. Quantas têm achado a ruína no meio do mesmo que devia ser-lhes glória! Não, minha filha, o ímpio não pode ter paz verdadeira, nem sincero contentamento. Só uma alma reta e inocente goza na paz do coração as delícias antecipadas do Paraíso. Nenhuma catástrofe as perturba. Os pecadores, ao contrário, conforto algum podem tirar das consolações terrestres. Não te assuste portanto a penitência, ó milha querida filha, porque só de terrível tem o nome. Acredita-me: as lágrimas daquele que na amargura do seu coração chora as próprias culpas, são mais suaves que a alegria daquele que se inebria com os prazeres da vida. Criada por Deus e para Deus, só n'Ele acharás a paz. Desgraçada da alma que ousa crer que se pode achar coisa alguma melhor que Deus. Cessa pois de armas a vaidade e a mentira e volta-te para aquele que é o único que pode dar-te a paz e fazer a tua verdadeira felicidade.


Demais, ó minha querida, o tempo nada é comparado com a eternidade. Tens de viver eternamente numa alegria soberana, ou na mais terrível dor. Devez habitar para sempre o Paraíso ou o Inferno. Qual será a tua eternidade? Interroga a consciência e ela te responderá. Crês que a moleza em que vives, a dissipação, o afã pelas festas e divertimentos, o desejo de te mostrares, de amar e ser amada, o habito de rir e acompanhar livremente com pessoas das quais até devias evitar o encontro com cuidado, são o caminho que conduz ao céu? Ah! minha filha, eu própria me impuz o dever de proteger a minha inocência por meio do retiro, da modéstia e de uma oração contínua, pela prática de todas as virtudes que devem servir de norma à vida de uma verdadeira serva do Senhor, e tu crer-te-ias segura vivendo no meio de tantos perigos, com tão pouca vigilância e tamanho horror ao sofrimento? Meu próprio Divino Filho subiu ao céu pelo caminho da Cruz, e tu querias persuadir-te que só pode ali chegar pelo caminho dos prazeres?! De que te servirá ter gozado todas as delícias do mundo se te perdes e precipitas num fim de dor eterna para que não foste criada? De que te servirás teres nascido no seio da Igreja, teres sido remida pelo sangue precioso de meu Filho, alimentada por sacramentos divinos, inscrita no livro do filho de Deus, pertenceres à uma nação Cristã, a um povo de eleição, se acabas por te condenar como aqueles que nunca conheceram nem Deus, nem o seu Cristo?


Affectos. Como vossas palavras fortificam meu coração e me esclarecem o espiríto, ó Maria, minha Mãe amabilíssima! Ah! agora conheço quanto tenho andado mal até ao presente e o dever que me obriga a dar-lhe um pronto remédio se não quiser perder o fim para que fui criada. Oh! como as minhas passadas loucuras me confundem! Quanto era insensata em renunciar a Deus e à sua Glória por um bem passageiro e uma vã felicidade! Que desgraçada eu era! Não tinha Deus em conta alguma; só seguia as minhas vontades desregradas e os absurdos caprichos do mundo. Que devo eu esperar senão que Deus me não avalie em nada e me confunde com os seus inimigos? Mas é tempo ainda; vou pois apressar-me, sem perder um momento, e emendar o meu erro. Detesto e aborreço todos os prazeres, encantos, festas e vaidades que tem sido ou serão para mim uma ocasião de ofender o meu Deus. Renuncio de novo a eles, como já tinha renunciado em meu Batismo; em lugar de os procurar, pisa-los-ei aos pés sem medo e valorosamente. Chorarei incessantemente o meu erro. Não pensarei se não em agradar a Deus sem me importar com o que dirá o mundo, servi-lo-hei e amarei de todo o coração para conseguir o meu fim. Valei-me, ó Mãe amabilíssima. Sob a vossa poderosíssima proteção, estou certa de obter o perdão que imploro e de praticar tudo o que tenho resolvido.

Da obra 'Maria Falando ao Coração das Donzelas', traduzido do italiano pelo Abbade A. Bayle.
Livraria Católica Portuense, Porto, 1917.



Fonte:

http://grupodomboscofoz.blogspot.com.br

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

A flor mais bela

Vou contar-vos uma graciosa lenda persa que exprime uma grande verdade.

Deus, assentado no trono excelso de sua glória, chamou um anjo e disse-lhe:
— Vai àquele jardim, na terra lá em baixo, e traze-me a flor mais bela que encontrares.

O anjo, mensageiro de Deus, desceu ao jardim e contemplou a variedade e a graça com que milhares de flores ali se misturavam, como um mosaico admirável.


Viu o minúsculo jasmim ao lado do grande helianto, a dália à sombra da madressilva abraçada ao oleandro; viu a margarida, a pervinca, a primavera e todas as outras belezas que erguem o seu hosana ao Criador. Mas o seu olhar fixou-se na rainha das flores, a rosa aveludada e odorosa, e disse:

— Esta é, certamente, a flor mais bela.


Colheu-a e voou ao trono do Altíssimo.
 A rosa  disse Deus — é o símbolo do amor, doce expressão de um coração ardente. Com a sua formosura, atrai os olhares; é suave, perfumada, delicada, mas não é a flor mais bela.

O anjo voou de novo ao jardim. Não olhou para o cravo, nem para a margarida, nem para a flor-de-lis. Não deu atenção ao amor-perfeito nem à tulipa soberba, mas, voando pressuroso a um canto escondido do jardim, colheu uma humilde violeta e disse:
— Certamente o símbolo da humildade há de ser a mais bela das flores.

Retomando o voo, foi ajoelhar-se aos pés da Majestade suprema. Deus, tomando a violeta, sentiu-lhe o delicado perfume e disse:
 Sim, é bela a violeta oculta, humilde e pequenina e de tão agradável fragrância. A humildade é a virtude que faz os santos, vence os demônios e opera grandes maravilhas nos corações dos homens. Todavia, não é a mais bela das flores.

O anjo retornou ao jardim. Fixando o olhar no lírio, ficou encantado com a sua alvura imaculada, seu porte altivo, seu perfume suave. Contemplou-o demoradamente, pensando e dizendo:
— Eis o símbolo da pureza imaculada. Esta, sim, deve ser a flor mais bela.

Vendo-o, Deus exultou e disse:
— O símbolo da pureza, da pérola mais fúlgida, mais heroica e sublime. Esta, sim, é a mais bela das flores.


E os olhos divinos brilharam de complacência.


(Fonte: Pe. Francisco Alves, C.SS.R., "Tesouro de Exemplos" - Vozes, Petrópolis, 1960)